Saramago em seu livro “As Intermitências da Morte” faz uma crítica ao não morrer e que é claro, sendo levado da fantasia à vida real, nos traduz o finito que é a vida dita terrena. Um certo dia, a Morte com um ar um tanto de despeito, decidiu não mais buscar por ninguém, haja visto que todos faziam o máximo pra se afugentar dela, situação entendida como menosprezante. Daí vieram os problemas: desde os econômicos originados pelo alto custo da manutenção da saúde e previdência com idosos, até mesmo a impossibilidade de ressurreição e portanto a falta de razão pela qual se respeitam os desígnios de Deus, influenciadores morais de extrema importância em grande parte das sociedades.
Há muitos anos o homem tenta combater a morte. A Medicina tem se desenvolvido em progressão assustadora e isso contribui para o prolongamento da vida. Eis que surgem algumas dúvidas em relação até quando se deve prolongá-la. A Tanatologia tem um papel relevante no estudo dos processos de morrer e muito tem contribuído para o levantamento de questões que nos fazem tomar nossas próprias conclusões a respeito do assunto. É notável que principalmente a religião e seus dogmas são os responsáveis pelo embasamento dos que são desfavoráveis à implantação da eutanásia e isso compromete a discussão sobre o assunto, visto que na maioria das vezes possui uma visão unilateral não passiva de aprimoramentos. Deve-se, sobretudo, dar-se campo ao diálogo entre a ética e a religião para que considerações outras possam ser estabelecidas.
Dentro da humanização da saúde, várias ações vem sendo realizadas no intuito de manter a dignidade do indivíduo, e as discussões tem neste ambiente um campo fértil para o desenvolvimento de alternativas para a condução do paciente terminal.
Sob o meu olhar, a autonomia do paciente é o que determina seu destino. Desde que apto a fazer uma escolha e que essa não transgrida os códigos éticos no que diz respeito à não-maleficência ao próximo, sua vontade deve ser respeitada, afinal é ele quem sentirá todo o processo, quase que sempre muito sofrido e desgastante.
